O milho responde bem à adubação, mas é também uma cultura em que o erro de nutrição custa caro: o potencial produtivo é definido cedo no ciclo, e definições tomadas nos primeiros estádios não se recuperam depois.
Entre os micronutrientes, três concentram a maior parte das decisões técnicas: boro, zinco e molibdênio. Este artigo trata da função de cada um no milho e dos critérios que diferenciam uma fonte da outra.
Momentos críticos da nutrição do milho
O número de fileiras de grãos na espiga é definido em estádios vegetativos iniciais, muito antes de qualquer sintoma visível de deficiência se manifestar. Já o número de grãos por fileira e o enchimento dependem da condição nutricional em torno do florescimento.
Isso significa que a nutrição com micronutrientes no milho tem duas janelas distintas, com objetivos distintos. Tratar as duas com a mesma estratégia costuma resultar em aplicação tardia demais para influenciar o que já foi definido.
Boro: função, mobilidade e a questão do poliol
O boro participa da formação e estabilidade da parede celular, do transporte de açúcares e de processos ligados à viabilidade do grão de pólen. No milho, deficiência de boro no período reprodutivo compromete a fecundação e aparece como falha de graneação na espiga.
O ponto técnico mais relevante sobre o boro é a mobilidade. Na maioria das espécies, o boro é considerado pouco móvel no floema, o que significa que o elemento absorvido não se redistribui com facilidade para os tecidos em crescimento. A consequência prática é que o fornecimento precisa ser contínuo, não pontual.
É aí que entram as fontes complexadas com polióis. A associação do boro a álcoois de açúcar forma complexos que aumentam a mobilidade do elemento dentro da planta, permitindo redistribuição a partir do ponto de absorção. Para uma cultura em que a demanda se concentra em tecidos reprodutivos, essa diferença é funcional, não apenas de rótulo.
Zinco no milho: a deficiência mais comum
O zinco é ativador enzimático e participa da síntese de triptofano, precursor do ácido indolacético, hormônio ligado ao crescimento. O milho é reconhecidamente uma das culturas mais sensíveis à falta de zinco.
O sintoma clássico é a faixa clorótica esbranquiçada paralela à nervura central em folhas novas, frequentemente acompanhada de encurtamento de entrenós. Solos arenosos, com baixo teor de matéria orgânica ou com pH elevado após calagem estão entre os de maior risco.
Atenção ao antagonismo com fósforo: adubações fosfatadas elevadas podem reduzir a disponibilidade de zinco para a planta. É um caso em que corrigir um nutriente sem olhar o conjunto piora o resultado.
Molibdênio: papel no metabolismo do nitrogênio
Diferente da soja, o milho não depende de fixação biológica de nitrogênio. Ainda assim o molibdênio importa, porque é componente da redutase do nitrato — a enzima que converte o nitrato absorvido em formas aproveitáveis pela planta.
Em lavouras que recebem adubação nitrogenada expressiva, a deficiência de molibdênio significa nitrogênio absorvido e não convertido. O investimento em nitrogênio existe, mas o aproveitamento fica limitado por um elemento exigido em quantidade mínima.
Fonte importa: solubilidade, compatibilidade de calda e absorção
Micronutrientes são aplicados quase sempre em mistura. Isso torna a compatibilidade de calda um critério tão relevante quanto a concentração do produto. Sais inorgânicos simples liberam íons livres que podem reagir com outros componentes do tanque, formando precipitados e reduzindo o que efetivamente chega à planta.
Nos minerais quelatados, o metal está ligado a uma molécula orgânica em uma estrutura estável, o que reduz essa reação. A linha Biometal da NPA é produzida por síntese em processo controlado, com laudo por lote.
Perguntas frequentes
Por que o boro poliol é diferente do boro convencional? A associação com polióis aumenta a mobilidade do boro dentro da planta, permitindo redistribuição a partir do ponto de absorção — relevante em cultura cuja demanda se concentra em tecidos reprodutivos.
Adubação fosfatada alta prejudica o zinco? Pode reduzir sua disponibilidade. É um antagonismo conhecido e deve ser considerado no planejamento nutricional.
Milho precisa de molibdênio mesmo sem fixação biológica? Sim. O papel no milho está ligado ao aproveitamento do nitrogênio absorvido do solo.
Para definir a estratégia adequada à sua operação, fale com o time técnico da NPA. Veja também micronutrientes na soja, zinco e cobre na lavoura e as soluções NPA para nutrição agrícola.